Brand equity: o que é, e por que existem duas respostas
Brand equity é o valor que o nome acrescenta ao produto. Só que existem dois modelos com esse nome, um financeiro e um do consumidor, e confundir os dois é o que faz a conversa sobre marca travar.

Brand equity é o valor que o nome de uma marca acrescenta a um produto, além do que o produto entrega sozinho. Duas camisetas de algodão igual, costura igual, caimento igual: uma sai por trinta reais, a outra por trezentos porque tem um nome bordado no peito. A diferença de duzentos e setenta não está no tecido. Está no nome, e tem quem chame isso de brand equity.
Até aí todo mundo concorda. A confusão começa quando duas pessoas usam o termo achando que falam da mesma coisa, e não falam.
Existem dois brand equities
O mesmo nome cobre dois modelos que respondem a perguntas diferentes, nascidos em áreas diferentes, medidos de jeitos diferentes. Quase toda discussão embolada sobre valor de marca é gente misturando os dois sem perceber.
deslize para comparar
| O que muda | Financeiro | Do consumidor |
|---|---|---|
| Pergunta que responde | Quanto vale essa marca, em dinheiro? | Por que alguém escolhe essa e não a de baixo na prateleira? |
| Para que serve | Fusão, aquisição, licenciamento, disputa judicial, balanço. | Decidir posicionamento, discurso, identidade e prioridade de investimento. |
| Como se mede | Fluxo de caixa que só existe por causa da marca, royalties equivalentes, prêmio de preço. | Pesquisa com quem compra: lembrança, preferência, disposição a pagar mais, recompra. |
| Quem publica | Consultorias de avaliação, com os rankings anuais de marcas mais valiosas. | Literatura acadêmica de marketing, com Aaker e Keller à frente. |
| O que faz o número subir | O da coluna ao lado, com alguns anos de distância. | Consistência, experiência vivida e memória construída. |
Repare na última linha, porque ela é a única parte dessa tabela que muda decisão: o número financeiro é consequência do outro. Ninguém acorda com a marca valendo mais em dinheiro sem antes ter mudado alguma coisa na cabeça de quem compra.
As cinco categorias de Aaker
David Aaker publicou "Managing Brand Equity" em 1991 e organizou o valor de marca em cinco categorias. Quatro delas moram na cabeça de quem compra:
Lealdade. Quantas pessoas voltam sem pesquisar de novo. É a categoria que Aaker trata como a mais valiosa, porque cliente leal custa menos e resiste a promoção de concorrente.
Notoriedade do nome. Ser lembrado antes dos outros na hora em que a necessidade aparece. Não é o mesmo que ser conhecido: é ser lembrado no momento certo.
Qualidade percebida. O que as pessoas acham da qualidade, que nem sempre é a qualidade que os testes mediriam. Percepção e realidade se afastam nos dois sentidos.
Associações da marca. Tudo que vem junto do nome: uma cor, uma cidade, um tipo de gente, uma sensação. É a categoria mais trabalhada por design e a mais difícil de copiar.
É na quarta que entram os arquétipos de marca, que dão nome ao tipo de associação que se está construindo, e é por isso que eles aparecem tanto em projeto de identidade.
A quinta categoria é de outra natureza: outros ativos proprietários, como patentes, marcas registradas e contratos de canal. Ela vive no cartório e no contrato, não na percepção, e é justamente por isso que costuma sumir nos resumos. Se você já viu alguém citar quatro dimensões de Aaker, foi essa que ficou de fora.
A pirâmide de Keller, e as quatro perguntas
Kevin Lane Keller montou o modelo por outro caminho. Em vez de listar categorias, ele desenhou uma pirâmide de quatro níveis, e cada nível é uma pergunta que a pessoa faz sobre a marca, na ordem em que ela faz:
Quem é você? É o nível da lembrança, a base. Sem ele os outros três não existem.
O que você é? Aqui entram o desempenho (o que a marca faz) e a imagem (o que ela significa).
O que eu penso e sinto sobre você? Julgamento e emoção, que raramente andam separados.
Que relação nós temos? O topo, que Keller chama de ressonância. É a marca que a pessoa defende numa conversa sem ninguém ter pedido.
A ordem é a parte que interessa. Não dá para construir ressonância em quem ainda não sabe quem você é, e é exatamente esse pulo que a maior parte das campanhas tenta dar.
Marca não se constrói pelo topo. Ressonância sem lembrança é conversa com quem não sabe com quem está falando.
Onde isso aparece na conta
Brand equity soa abstrato até você olhar o preço. Ele aparece em três lugares bem concretos, e todos os três dão para observar sem contratar ninguém:
Prêmio de preço. Quanto a mais a marca cobra por algo equivalente ao do concorrente, sem perder venda.
Custo de aquisição. Marca conhecida gasta menos para vender, porque parte da explicação já foi dada antes do anúncio começar.
Resistência. O que acontece quando o concorrente baixa o preço. Marca sem equity perde cliente na hora, marca com equity perde alguns e mantém o resto.
Se a sua empresa precisa dar desconto toda vez que um concorrente aparece, esse é o diagnóstico: o produto está sustentando a venda sozinho, sem ajuda nenhuma do nome.
O que um estúdio de design faz aqui, e o que não faz
A iellou não avalia marca em dinheiro. Colocar um número no balanço é trabalho de consultoria de avaliação, com metodologia própria e responsabilidade contábil, e não é o que fazemos. Dizer o contrário seria vender o que não entregamos.
O que fazemos é o outro lado da tabela, o do consumidor. Quando o trabalho é definir posicionamento, construir o discurso e desenhar a identidade, o que está sendo mexido são as associações, a notoriedade e a qualidade percebida. São três das cinco categorias de Aaker, e são as que respondem a design.
É a diferença entre medir a temperatura e mudar a temperatura. As duas coisas são úteis, mas quem mede não aquece.
Por onde começar sem contratar nada
Três perguntas que qualquer empresa consegue responder sozinha, e que já revelam o tamanho do problema:
Se você tirasse o seu logo de uma peça e colocasse o do concorrente, alguém notaria diferença no texto e nas imagens? Se não, não há associação própria sendo construída.
Quando alguém indica a sua empresa, que palavras usa? Se cada cliente usa palavras diferentes, o discurso ainda não existe fora da sua cabeça.
Você consegue subir o preço em cinco por cento sem perder cliente? A resposta é a medida mais honesta de brand equity que existe, e não custa nada descobrir.
Se as três respostas forem ruins, o problema não se resolve com um logo novo, e também não se resolve com a estatística de rebranding que circula por aí, porque esses números não se sustentam. Vale entender a diferença entre branding e identidade visual antes de decidir o escopo, e vale ver também por que cada fonte lista um número diferente de pilares do branding, que é o mesmo assunto visto pelo avesso.
A iellou é um estúdio de design criativo em Brasília, especializado em branding e identidade visual. Se as três perguntas acima incomodaram, veja como trabalhamos o branding ou chame no WhatsApp (61) 99149-0099.
Referências e casos consultados
- Customer-Based Brand Equity Models: Keller vs. Aaker, Qualtrics
- Sobre a iellou e o processo em espiral, iellou design



